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Jeliel: O Amor que Gera
Volume II · Shemhamphorash

Jeliel

O Amor que Gera

Part of the series Shemhamphorash — Setenta e dois volumes — um para cada Anjo da Cabala.

“Quando o amor deixa de gerar vida e passa a ser o desejo de possuir o outro?”

Num jardim em flor ao amanhecer, onde a água corre entre os canteiros sem prender nada, Eisenheim senta-se diante de Jeliel, o segundo dos setenta e dois Anjos da Cabala, guardião do amor que gera e da sabedoria dos afetos. Não vem pedir amor, nem companhia, nem o coração de ninguém. Vem perguntar uma só coisa, e traz por trás dela todos os afetos que já apertou demais: onde, em mim, o amor deixou de gerar vida e passou a querer possuir?

Do encontro nasce uma longa contemplação sobre a virtude que os homens mais celebram e menos entendem — o amor —, e sobre as quatro sombras que a imitam com perfeição. A posse, que nasce no instante em que o outro deixa de ser um fim e passa a ser um meio, e que ama com desespero e confunde o desespero com grandeza. O ciúme, que é a posse com medo, insaciável porque pede o impossível — a garantia de um coração livre — e que produz sempre a perda que teme. O amor estéril, que fica todo no sentir e nunca atravessa para o ato, tomando a própria comoção pela colheita. E o desejo disfarçado de amor, o mais universal de todos, que quer o outro como bem em vez de querer o bem do outro, e que no fundo é uma adoração que errou o altar.

Jeliel responde como inteligência luminosa, serva de ELOHIM: só diz a verdade, recusa toda adoração e devolve cada honra à Fonte. Ensina que o amor não fabrica, revela — não faz do outro uma obra sua, faz do outro mais plenamente ele mesmo; que só ama bem quem se sabe amado por Deus, porque só quem está cheio pode dar sem cobrar; e que amar sem possuir não é amar menos, mas a única forma de amor que o outro pode habitar sem sufocar. Porque o amor que volta a gerar vida não é uma chama maior nem um sentimento mais intenso — é a mesma ternura, com a mão aberta.

Uma obra literária, simbólica e iniciática. Não há aqui invocação, rito, selo, salmo operativo nem fórmula — nenhuma resposta do anjo deve ser lida como método a aplicar. O anjo não é para ser cultuado nem invocado: a reverência pertence a Deus, e o anjo é mensageiro, não destino. Um espelho fiel, para quem quer aprender a amar em verdade.

Livro II da coleção “Shemhamphorash — Entrevistas com os Setenta e Dois Anjos da Cabala”.

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