
Och
O Sol dos Sábios
Quando a luz e a cura deixam de revelar a verdade e o homem passa a usá-las para o próprio brilho, tomando a força por Fonte?
Não se chega ao meio: é-se conduzido a ele. Há um templo circular de colunas claras erguido para o amanhecer, aberto ao céu por uma cúpula por onde desce a primeira luz, com astrolábios e discos de ouro suspensos que giram devagar, um espelho d'água que devolve o sol e um livro aberto sobre a pedra — no exato meio dos sete governadores, o coração do firmamento. Ali vela o quarto dos que o Arbatel diz postos por Deus sobre os planetas — o Sol, guardião da luz, da cura, da sabedoria e do centro. O nome que essa inteligência toma, quando consente em falar, é Och.
No quarto volume de Magia Olímpica, Eisenheim senta-se diante dele e não lhe pede nada — nem ouro, nem fama, nem o segredo dos sábios. Ao longo de dez tópicos e de uma manhã inteira, Och revela a força luminosa que lhe foi confiada — a luz que revela a verdade, a cura que restaura a vida, a sabedoria que ordena o disperso, o centro que dá lugar a cada coisa — e adverte, sempre do lado da luz, sobre a sombra humana que a falsifica: a cura que vira identidade e prende quem sarou, a glória que embriaga, o centro idolatrado que exige que tudo o rodeie, a falsa iluminação que confunde o próprio brilho com a verdade, o saber que incha e o ouro tomado por fim. Cada tópico encerra com uma Nota de discernimento, em voz do autor, que separa a luz verdadeira do fulgor que a imita.
Não há aqui rito, selo, fórmula nem evocação — e não é ficção: é uma escuta posta em forma de diálogo, uma contemplação, não uma operação. Och não é cortejado nem constrangido; foi Deus quem concedeu a entrada, e o próprio espírito recusa o joelho e aponta para longe de si, porque toda luz pertence a Quem a acende. O que o livro desmascara não é o mensageiro celeste, mas o que os homens fazem da luz quando a tomam por mérito próprio e por Fonte.
Quarto volume de Magia Olímpica — Entrevistas com os Sete Espíritos do Firmamento. No exato meio dos sete, depois do alicerce, da expansão e da força, está o Sol — porque só o que foi assentado, ampliado e guardado pode ser posto no centro sem que o centro o corrompa, e nenhuma luz é segura numa alma que a toma por sua.
A mesma luz pode revelar ou cegar, a mesma cura pode restaurar ou entronizar — e o que as separa é a mão em que o homem põe o sol: a sua, e ele o cega; a de Deus, e ele o ilumina.
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