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Samigina: O Marquês que Conta os Mortos em Pecado
Volume IV · Magie Goétique

Samigina

O Marquês que Conta os Mortos em Pecado

Fait partie de la série Magie Goétique — Soixante-douze volumes — un pour chaque esprit de l'Ars Goetia.

Quando lembrar as faltas dos mortos e as próprias deixa de ser contrição e passa a ser o peso que não liberta ninguém?

Há uma sala baixa, iluminada por velas que não se gastam, onde grandes livros jazem abertos sobre mesas de escrivão e cada página guarda, em letra miúda, uma falta antiga anotada com data e hora. Pelas paredes corre uma lista de nomes de mortos que começa na porta e não tem fim; e no ar há um peso que curva os ombros de quem entra, como se carregasse um fardo que ninguém lhe pôs às costas. Ali reina o quarto dos setenta e dois da Ars Goetia, marquês à frente de trinta legiões, que ensina as ciências liberais e dá conta das almas dos que morreram em pecado. O nome dessa gravidade penitencial, quando consente em falar, é Samigina.

No quarto volume de Magia Goética, Eisenheim — o evocador — chama Samigina pela arte, senta-se diante do marquês que nunca fecha o processo de ninguém e o interroga, sem lhe pedir nada: nem absolvição, nem condenação, nem notícia dos seus mortos. O livro não mostra o rito, só a conversa que se seguiu. Samigina responde com voz grave e triste e uma seriedade que às vezes soa como a própria consciência: raramente mente por inteiro, inverte — toma uma palavra viva (culpa, dever, memória, arrependimento) e a torce um grau, só um, até que a prisão pareça penitência. Ao longo de dez interrogatórios, a conversa desce da consciência que converte até o peso que esmaga: as contas com os mortos, o remorso que morde, a autocondenação, o escrúpulo doentio, o perdão recusado, o irremediável, as religiões do medo e o homem que não se perdoa. Cada tópico encerra com uma Nota de discernimento, em voz do autor, que nomeia a sombra examinada e a virtude que ela mantém cativa.

Não é um manual, e não é ficção: é o registro de uma evocação real, posta em forma de diálogo. E o que ele mede é a distância exata entre a contrição que reergue e o remorso que afunda — entre lembrar o mal feito e deixar-se, enfim, perdoar.

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