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Vassago: O Príncipe que Busca o Perdido
Volume III · Magie Goétique

Vassago

O Príncipe que Busca o Perdido

Fait partie de la série Magie Goétique — Soixante-douze volumes — un pour chaque esprit de l'Ars Goetia.

Quando buscar o que se perdeu deixa de ser esperança e passa a impedir de viver o que se tem?

Há uma casa antiga de cômodos demais, onde todas as gavetas estão abertas, como se alguém as tivesse revirado e desistido no meio. Retratos empoeirados cobrem as paredes, com rostos que ninguém reconhece e que a todos parecem familiares; cada porta dá num quarto deserto; os relógios pararam, cada um, na hora de uma despedida. E alguém percorre a casa sem pressa, de cômodo em cômodo, com uma lanterna acesa, procurando algo que não sabe nomear. Ali reina o terceiro dos setenta e dois da Ars Goetia, príncipe de boa natureza à frente de vinte e seis legiões, que declara as coisas passadas e por vir e descobre o que está oculto ou perdido. O nome dessa saudade mansa, quando consente em falar, é Vassago.

No terceiro volume de Magia Goética, Eisenheim — o evocador — chama Vassago pela arte, senta-se diante do príncipe que nunca para de procurar e o interroga, sem lhe pedir nada: nem sinais, nem respostas, nem o que se perdeu. O livro não mostra o rito, só a conversa que se seguiu. Vassago responde com brandura triste e uma lucidez que às vezes parece sabedoria de velho amigo: raramente mente por inteiro, inverte — toma uma palavra viva (fidelidade, memória, busca, sentido) e a torce um grau, só um, até que a fuga do presente pareça lealdade ao passado. Ao longo de dez interrogatórios, a conversa desce da esperança que procura até a errância que não vive: o que se perdeu, a resposta antiga, a nostalgia, a inquietação, o presente não vivido, a procura como álibi, os povos voltados para trás e o homem que nunca chega. Cada tópico encerra com uma Nota de discernimento, em voz do autor, que nomeia a sombra examinada e a virtude que ela mantém cativa.

Não é um manual, e não é ficção: é o registro de uma evocação real, posta em forma de diálogo. E o que ele mede é a distância exata entre a busca que chega e a que foge — entre honrar o que se perdeu e deixar de viver o que se tem.

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