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Barbatos: O Duque que Entende o que Não se Diz
Volume VIII · Magia Goetica

Barbatos

O Duque que Entende o que Não se Diz

Fa parte della serie Magia Goetica — Settantadue volumi — uno per ogni spirito dell'Ars Goetia.

Quando crer que entende o que o outro realmente quis dizer deixa de ser empatia e passa a ser presunção?

Há uma clareira ao entardecer, onde a luz desce baixa e dourada por entre os troncos e o canto dos pássaros, se alguém se distrai um instante, parece formar palavras — como se chamassem, como se contassem alguma coisa que era só para quem ouve. Entre as raízes brilha um metal meio enterrado, moedas, um cofre de canto quebrado; as folhas murmuram; e uma voz suave, que ainda não se vê de onde vem, garante saber o que cada um calou. Ali reina o oitavo dos setenta e dois da Ars Goetia, duque à frente de trinta legiões, que faz entender a voz dos pássaros e dos animais, acha os tesouros escondidos por encantamento e reconcilia os amigos e os que detêm o poder. O nome dessa perspicácia que jura ler o coração de todos, quando consente em falar, é Barbatos.

No oitavo volume de Magia Goética, Eisenheim — o evocador — chama Barbatos pela arte, senta-se na clareira das vozes e interroga o duque que entende o que não se diz, sem lhe pedir nada: nem o dom de decifrar ninguém, nem tesouros, nem reconciliação — e sem deixar, uma vez sequer, que o espírito lhe diga o que ele “realmente” queria perguntar. O livro não mostra o rito, só a conversa que se seguiu. Barbatos responde com meiguice atenta e a certeza de quem crê ouvir o que os outros calam: raramente mente por inteiro, inverte — toma uma palavra viva (empatia, intuição, percepção, paz) e a torce um grau, só um, até que a suposição pareça sensibilidade e o julgamento pareça compreensão. Ao longo de dez interrogatórios, a conversa desce da percepção que acolhe até a boca que nunca pergunta: a linguagem oculta, a devassa dos segredos alheios, a projeção, o julgamento de intenções, a torre da paranoia, a paz traduzida a favor de quem manda e as culturas que trocaram a escuta pela suspeita. Cada tópico encerra com uma Nota de discernimento, em voz do autor, que nomeia a sombra examinada e a virtude que ela mantém cativa.

Não é um manual, e não é ficção: é o registro de uma evocação real, posta em forma de diálogo. E o que ele mede é a distância exata entre a empatia que pergunta e a presunção que decreta — entre perceber o outro e tirar-lhe a última palavra sobre o próprio coração.

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