Aratron
No alto de uma torre de pedra negra, onde os relógios não têm ponteiros e as ampulhetas estão paradas, Eisenheim…
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Entrevistas com os Sete Espíritos do Firmamento — Sete volumes — um para cada Espírito Olímpico (os sete planetas dos antigos).
Há sete governos no céu dos antigos. Sobre cada um dos sete planetas visíveis, a tradição do Arbatel pôs uma grande inteligência planetária — os sete Espíritos Olímpicos —, e cada uma governa uma força que todo homem carrega e nenhum domina: o tempo, a expansão, a vontade, a luz, o desejo, a palavra e a imaginação.
Esta coleção desce por esses sete céus, um volume de cada vez, na forma de uma entrevista. Em cada livro, Eisenheim senta-se diante de um dos espíritos e o interroga — sem lhe pedir nada, sem o cortejar, sem lhe aceitar pacto. Não vai buscar poder: vai buscar a linha exata em que cada força deixa de formar a alma e passa a aprisioná-la. E cada espírito, interrogado sem desejo e sem medo, responde misturando verdade e distorção na mesma frase — até acabar confessando, contra si mesmo, que não é a Fonte, mas apenas um servo, e que sua redenção não está nele, mas no olhar do homem e na mão de Quem o pôs no céu.
Os sete volumes, do mais alto e frio ao mais próximo da terra:
I — Aratron / Saturno: o tempo, o limite, a matéria, a solidão, a morte.
II — Bethor / Júpiter: a expansão, a abundância, a autoridade, a bênção.
III — Phaleg / Marte: a força, a vontade, a guerra, a coragem.
IV — Och / Sol: a luz, o ouro, a glória, o centro.
V — Hagith / Vênus: a beleza, o amor, o encanto, o prazer.
VI — Ophiel / Mercúrio: a palavra, a mente, o comércio, a mensagem.
VII — Phul / Lua: as águas, o sonho, o fluxo, a alma.
Não são manuais. Não há rito, fórmula, selo, oferenda nem prática — a ausência é a própria tese: quem investiga uma força e quem a cultua partem do mesmo umbral e caminham em direções opostas. São obras literárias, simbólicas e iniciáticas, escritas para discernir, não para obedecer. A cada tópico, uma Nota de discernimento ensina o leitor a separar a sombra de cada planeta da virtude luminosa que ela mantém aprisionada.
Uma descida pelos sete céus feita de perguntas, e não de pedidos — a única descida da qual se volta mais livre.
No alto de uma torre de pedra negra, onde os relógios não têm ponteiros e as ampulhetas estão paradas, Eisenheim…
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