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Ophiel: A Palavra Mercurial
Band VI · Olympische Magie

Ophiel

A Palavra Mercurial

Teil der Reihe Olympische Magie — Sete volumes — um para cada Espírito Olímpico (os sete planetas dos antigos).

Quando a palavra e a inteligência deixam de servir à verdade e o homem passa a usá-las para manipular e negociar a alma, tomando a força por Fonte?

Não se sobe a esta morada nem se desce: atravessa-se. A casa de Ophiel é uma biblioteca suspensa no ar sobre uma cidade que acorda, e a ela se chega por pontes finas de prata que ligam torres claras e balançam de leve sob o pé — o suficiente para que ninguém as atravesse correndo, porque à casa da palavra não se chega com pressa. Lá dentro é o comecinho da manhã: luz prateada do nascente em lâminas, mesas cobertas de mapas, cartas lacradas ao lado de cartas já abertas, ampulhetas que correm, penas de metal em tinteiros de vidro e livros abertos em muitas línguas. Ali vela o sexto dos sete governadores que o Arbatel diz postos por Deus sobre os planetas — Mercúrio, guardião da palavra, da inteligência, da ciência e da comunicação. O nome que essa inteligência toma, quando consente em falar, é Ophiel.

No sexto volume de Magia Olímpica, Eisenheim senta-se à mesa e não lhe pede nada — nem eloquência, nem lucro, nem poder de convencer. Ao longo de dez tópicos e de uma manhã inteira, Ophiel revela a força luminosa que lhe foi confiada — a palavra que liga, a inteligência que compreende, a ciência que ordena, a comunicação que aproxima — e adverte, sempre do lado da luz, sobre a sombra humana que a falsifica: a astúcia que substitui a retidão, o comércio da alma, a ciência sem reverência, a mente dispersa e a mentira veloz. Cada tópico encerra com uma Nota de discernimento, em voz do autor, que separa a palavra ancorada na verdade da que só se apoia em quem a diz.

Não há aqui rito, selo, fórmula nem evocação — e não é ficção: é uma escuta posta em forma de diálogo, uma contemplação, não uma operação. Ophiel não é cortejado nem constrangido; foi Deus quem concedeu a entrada, e o próprio espírito recusa o joelho e aponta para longe de si, porque toda palavra verdadeira pertence a Quem a escreve. O que o livro desmascara não é o mensageiro celeste, mas o que os homens fazem da palavra quando a tomam por mérito próprio e por Fonte.

Sexto volume de Magia Olímpica — Entrevistas com os Sete Espíritos do Firmamento. Sobre o fundamento de Saturno, a expansão de Júpiter, a espada de Marte, a luz do Sol e o jardim de Vênus, ergue-se a biblioteca de Mercúrio — o mais veloz dos céus, e o mais próximo da boca do homem, onde a sombra é tão leve que passa por inteligência.

A mesma palavra pode ligar ou enganar, a mesma inteligência pode compreender ou manobrar — e o que as separa é a outra margem: a que está presa numa coisa fora de quem fala, ou a que só se apoia nele mesmo.

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